7 de janeiro de 2010

O Armando!!!

O Armando tem 95 anos e vive num lar de idosos.
Todas noites depois do jantar, ele vai para um canto do jardim por trás do lar para se sentar e pensar no que conseguiu ao longo da sua vida.
Uma noite, Arminda, 87 anos, ia passar pelo jardim e sentou-se a conversar com ele.
Sem darem por isso, várias horas se passaram.
Depois de uma pequena pausa na conversa, Armando volta-se para Arminda
e pergunta mas sabes do que sinto mais falta?
O quê? pergunta ela.
SEXO, responde Armando.
Arminda exclama: seu velho xéxé, não o conseguias levantar nem que te
apontasse uma pistola à cabeça!
Eu sei; diz Armando; mas era bom que pelo menos uma mulher pudesse
segurar nele de vez em quando!
Bom, isso eu posso aceitar, diz Arminda, e abre o fecho e segura no
........ de Armando. Depois disto, decidem que daí em diante, se
encontrariam todas as noites naquele canto do jardim, onde se
sentariam a conversar e depois ela ficaria a segurar no ........ por
um bocado.
Só que uma noite o Armando não apareceu e, preocupada, Arminda começa a
procurá-lo, até que o encontra noutro ponto do lar, sentado à beira da
piscina com outra residente do lar, a Etelvina que também lhe estava a
segurar no .......
Seu traidor! Seu trapaceiro! O que é que a Etelvina tem que eu não
tenho???
O Armando sorriu e respondeu feliz:
Parkinson!!!!

6 de janeiro de 2010

'Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar.

Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.

Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho.

Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac.
É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima.

Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade! '

"João Pereira Coutinho, jornalista"