2 de junho de 2009

Curioridades

A HISTÓRIA DO BANHO

Actualmente, o desenvolvimento tecnológico e medicinal passa-nos uma falsa impressão de que o hábito de tomar banhos, assim como outros cuidados com a higiene pessoal, se aprimorou com o passar do tempo.
Um dos mais famosos casos que refutam essa afirmação encontra-se na própria história de Portugal, quando colonizámos o Brasil, e nos intrigavamos com o hábito dos nativos de se banharem por diversas vezes ao dia.
Contudo, as peculiaridades sobre o banho não pára por aí...
Entre os antigos egípcios é onde encontramos os mais antigos relatos sobre o hábito de se tomar banho.
Segundo documentos com mais de 3000 anos, o acto de tomar banho era sagrado e parecia ser uma forma de purificar o espírito do indivíduo.
Não por acaso, eles tomavam cerca de três banhos num só dia.
Para muitos especialistas, o ritual acabou por salvar esta civilização de várias epidemias e pragas comuns à Antiguidade.
Na lendária civilização cretense, os banhos faziam parte dos intervalos que ordenavam a realização de banquetes.
Sendo um dos povos que participaram da formação da civilização grega, os cretenses tiveram essa tradição mantida pelos povos que habitaram a Hélade.
Para os gregos, o contacto com a água integrava o processo de educação de seus jovens.
De acordo com as várias representações da época, o indivíduo bem ensinado tanto dominava a leitura, assim como praticava a natação.
No decorrer da Antiguidade, os romanos, visivelmente influenciados pela cultura grega, ampliaram a recorrência do hábito realizando a construção das famosas termas.
Uma terma consistia num edifício repleto de vários salões que contavam com vestiários, saunas e diversas piscinas.
Ligeiramente semelhantes aos resorts do mundo contemporâneo, algumas dessas construções romanas também contavam com bibliotecas, jardins e restaurantes.
Se no Império Romano as pessoas não tinham o menor pudor de se banharem nesses locais públicos, na Idade Média a coisa mudou bastante de figura.
O papa Gregório I foi um dos mais importantes precursores do repúdio ao banho ao dizer que o contacto com o corpo era a via mais próxima do pecado.
Dessa forma, o tomar banho se transformou em uma actividade anual e acontecia num simples barril de água. Fora disso, os asseios diários eram feitos pelo uso de panos úmidos.
Se, no Ocidente a moda do banho estava em baixa, os povos orientais trataram de manter o hábito bem activo entre os seus comuns.
Nos países de origem turco-árabe temos ainda hoje as hamans, luxuosas casas de banho onde os muçulmanos tomam banho, depilam, passam por sessões de massagem, branqueiam os dentes e se maquilham.
Com o advento das Cruzadas, entre os séculos XI e XIII, o hábito de tomar banho ganhou algum espaço nos fins da Idade Média.
Nos séculos XVI e XVII, com as noções de saúde e doença, mais uma vez se tornou uma afronta ao hábito de se tomar banho regularmente. Nessa época, os médicos acreditavam que as doenças consistiam em manifestações malignas que tomavam o corpo do indivíduo por meio das suas vias de entrada.
A partir dessa premissa, a classe médica concluiu que o banho em excesso alargava os poros da pele e, com isso, deixava o sujeito suscetível a uma doença.
Somente no século seguinte, com a ascensão da ciência iluminista, que o banho foi redimido como um meio de se cuidar da saúde.
Contudo, as várias décadas de uma cultura avessa ao contacto do corpo com a água conseguiu manter certa resistência ao banho.
Em vários relatos do século XIX, temos a descrição de doentes que foram obrigados a tomar banho à força.
A popularização do banho só aconteceu de facto no Ocidente a partir da década de 1930. Nessa época, a lavagem do corpo era realizada aos sábados, mesmo dia em que as peças íntimas das crianças eram trocadas.
Após a Segunda Guerra Mundial, o processo de reconstrução de várias casas permitiu que os chuveiros fossem disseminados por toda a Europa.
Actualmente, o nosso banho deixou de ser um acto público, mas ainda é premissa fundamental para que os outros tenham uma boa impressão de nós mesmos.

11 comentários:

  1. Nestes tempos de escassez do bem essencial à vida do planeta que é a ÁGUA, acho no mínimo insensível um artigo onde se faz a apologia da utilização desregrada da mesma.
    No entanto, acho esta posição normal em 'jovens' que abordam superficialmente qualquer assunto que possa gerar uma risada mesmo que no âmago da questão esteja um assunto grave e delicado.
    Infelizmente, aqui é uma situação recorrente...

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  2. heheheh
    Sempre o mesmo querido.....
    Não tomará o meu amigo a sua banhoca diária??
    Ou fá-lo no rio, ou com toalhitas de bebé??
    Estou curiosa para saber

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  3. Sem pretender discutir a minha higiene pessoal neste local, permita-me informá-la ou recordar-lhe que ainda recentemente várias organizações europeias de defesa do ambiente desafiaram os europeus a poupar água no WC, nomeadamente lavar os dentes e efectuar uma das necessidades fisiológicas (micção) enquanto toma um duche rápido. No Brasil são ainda mais radicais nas suas propostas...
    Como 'jovem' despreocupada não se deve recordar que no ano transacto a cidade de Barcelona ficou sem água, sendo o fornecimento efectuado por navios cisternas, e foi solicitado pelo ayuntamento aos municípes que restringissem ao mínimo o consumo de água, nomeadamente no nº de banhos semanais. Portanto, mais que uma questão de saúde/higiene pode ser uma questão de sobrevivência e não estamos a falar apenas dos seus 'adorados' africanos ou dos seus 'insonsos' asiáticos.
    Quanto à questão que me colocou, ressalvando não ser o local para a discutir, mesmo assim posso informá-la que, apesar da situação de crise que atravessamos, muito bem ilustrada neste blog, todos os dias ás 16 horas tomo o meu duche/banho diário.
    Ao lado da minha modesta habitação existe um pequeno jardim público, relvado, em que na hora supra indicada são ligados os aspersores para a rega do mesmo. Assim, efectuo a minha higiene diária, poupando água e custos, e com o tempo quente ainda consigo apanhar uns banhos de sol, que são bem agradáveis. O único problema é para lavar as costas, que devido à idade, não me permite a amplitude de movimentos que já tive em tempos.
    Espero ter satisfeito a sua curiosidade...

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  4. ahahahahah
    completamente
    só tenho pena de não ser sua vizinha para puder assistir de bancada a esse espectáculo aquático
    ahahah

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  5. Não creio que seja um espectáculo especialmente agradável ou de entretenimento garantido, excepto quando a família de patos amarelos de borracha que me acompanha flui pelo relvado molhado, levemente inclinado, com a minha pessoa no seu encalço.
    No entanto, devo referir por ser verdade, que já assisti a muitos documentários muito mais emocionantes na National Geographic, nomeadamente a vida sexual das borboletas Elleuteria Papuasia [insecto hermafrodita]...

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  6. A sério??
    Conseguiu assistir a esse documentário?????
    Sabe que a vida sexual das Elleuteria Papuasia sempre me fascinou, mas infelizmente não assisti ao dito documentário.
    Bolas!!

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  7. Lamento que não tenha conseguido assistir a tão belo documentário, é deveras assombroso.
    No entanto, permita-me informá-la de que possuo este, entre outros documentários igualmente deslumbrantes, em suporte VHS e Beta. Destaco igualmente a migração dos Gansos Patolas (integralmente filmado com câmara nas costas das aves - 45m de um céu radioso), uma tarde com as Cigarras de Cauda Larga e a emocionante aventura de acompanhar uma semana na vida das irrequietas Bradypus infuscatus (vulgo Preguiça de 3 dedos).
    Mas o tesouro da colecção é uma gravação pessoal de cerca de 30m, efectuada no Algarve, onde se observa a grande capacidade de camuflagem do Chamaeleo Feae no seu habitat, no entanto já me disseram que se trata apenas de um ramo de árvore a abanar com o vento mas eu não acredito nisso.
    Caso seja do seu interesse, estou disposto a dispensá-los para que os possa apreciar, estando certo que irão tornar a sua vida muito mais emocionante...

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  8. Lembro-me de uma estória da velha bisavó que contou que ao retornar à terrinha natal queria levar um gambá de recordação, mas era proibido no navio. O bisavô então lhe falou:_Esconda-o por entre as pernas, oras bolas!
    _Mas...e o cheiro?!
    _Uai! O gambá que se f#$%& !

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  9. Arrisco-me a ver este blog encerrado pela sociedade protectora dos animais mais uma vez...pobre gambá.

    Mas fez-me lembrar o que me contaram sobre os bailes da idade média quando os nossos fidalgos não tomavam banho e se encharcavam de perfume, o cheiro deveria de tal ordem que até uma manifestação de gambás passaria despercebida.

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  10. E a famosa fragrância Eau de Cologne Di Coty deve ter evoluído do Sumo de Colônia de Quati daquela época.

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  11. Deixo aqui a minha singela homenagem ao pobre gambá, vítima inocente de uma guerra atroz que certamente não era a sua...
    Finalmente um post em que não vejo vangloriadas acções vãs e prejudiciais ao nosso massacrado planeta, bem pelo contrário:
    - a salvaguarda de bens assenciais (água);
    - o respeito pela vida animal (os perfumes não seriam testados neles);
    - a defesa do nosso honroso passado e do seu regime político, A MONARQUIA!
    Obrigado e bem haja.

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